terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Inércia Mental

Há uma certa aptidão de algumas pessoas para criticarem o que está errado, sem tentarem encontrar elas próprias uma solução para a questão. Para essas pessoas a crítica é, normalmente, apoiada em poucos argumentos e mais em questões óbvias, porque simplesmente como não são capazes de dar uma alternativa, também não são capazes de criticarem com base em argumentos sólidos.
Mais do que criticar, as pessoas deixam-se adormecer e não procuram elogiar quando as boas coisas acontecem. A despreocupação geral sobre questões urgentes(a nossa cidade, a nossa política, a nossa educação, o nosso desporto, a nossa cultura) é grave. Além de diminuir a capacidade do ser humano, diminuí também a área que não é "cuidada".
Penso que, além de promover todas essas áreas, se deve promover o individuo para que este tente criar, inovar, inventar, não ficar parado, não querer apenas uma área, um objectivo.
Um dos males do Pais é, a meu ver, o pouco "acreditar" que as pessoas têm e a forma como esperam que sejam sempre os outros a resolverem questões que dizem respeito a todos.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Consciência/ COP 15 Copenhagen













O "Mundo" encontra-se reunido em Copenhaga para uma crucial conferência sobre as mudanças do clima.
Ignoremos esse facto ou não, o Mundo muda e evoluí, tal como as espécies que nele habitam. Deste modo, há uma clara e objectiva necessidade de preservar o meio ambiente, da forma mais racional possível. Como é óbvio, o ser humano funciona por facilitismos, e na maior parte das vezes essa necessidade de presevação ambiental não é cumprida. Seja em pequenas coisas ou em grandes, o ser humano tem a capacidade de interferir na natureza e no ambiente de forma única, como nenhum outro ser vivo consegue.
Concordo, pois claro, com o facto de alguma poluição ser "necessária". Não sou extremista em ideologias, tento ser racional à minha maneira, por isso compreendo o uso dos combustiveís e "etc" que contribuem para que o planeta adoeça. Porém, sou a favor de um programa educacional nas escolas em que o ambiente seja o tema principal, sendo que os alunos devem aprender formas de preservar esse mesmo ambiente.
Há situações que só se vão repercutir daqui a tantos anos que nem os nossos bisnetos serão vivos, mas essa é uma forma de acabarmos com a nossa continuidade, a do ser humano. Se um dos objectivos da vida humana é a reprodução, para garantir que deixamos um legado neste mundo, então é lógico que tenhamos que fazer um pouco mais do que garantir que colocamos mais seres humanos neste planeta.
Temos que começar a ter uma maior consciência das grandes e pequenas consequências.

Liberdade/Independência - Moon, de Duncan Jones












Moon
, do realizador Inglês Duncan Jones, que curiosamente não quis adoptar o nome do pai para não ter sucesso à sua custa(é filho de David Bowie), é um drama de ficção científica, muito centrado na parte dramática.
O filme gira em torno de apenas um personagem, Sam Bell, interpretado de forma intensa por Sam RockWell. Faltam duas semanas para o astronauta Sam Bell, que se encontra há quase três anos em solo lunar, completamente alheio a qualquer contacto directo com seres humanos, regressar ao planeta terra. Como única companhia, Sam tem um robô chamado Gerty(voz de Kevin Spacey). Além das saudades que este nutre pela mulher e filha, o personagem de Sam foca-se no facto de faltarem apenas duas semanas para regressar a sua casa. Contudo, um inesperado acidente vem modificar toda a sua perspectiva emocional, humana e futura da sua própria vida.
Moon coloca-nos num caixão bem enterrado no fundo da terra, enquanto ainda vivos sentimos o medo não só desse isolamento, mas de um possível confronto com o mundo lá fora. Este filme questiona até que ponto somos donos da nossa própria liberdade ao entrarmos numa determinada sociedade e seguirmos certas regras. Não as destrói, mas deixa-nos a pensar nessa situação. O facto de alguém ser capaz de destruir a nossa vida de forma tão fácil quanto as novas tecnologias permitem, é algo que nos deixa presos dentro de nós próprios, sufoca-nos sem termos hipótese de fugir desse sufoco.
E se descobrissemos que somos apenas um clone do nosso ser original, e que já se passaram muito mais anos desde que os que inicialmente pensávamos, sendo que será impossível retomar o ponto que deixámos? É isto que sucede no filme ao personagem Sam Bell, que nos deixa aterrorizados e nos faz pensar na vida.
É um filme competente, bem realizado, mas que poderia ter ido muito mais longe do ponto de vista argumentativo. O revés da situação inicial é o que, praticamente, nos prende ao ecrã, além da brilhante interpretação de Sam Rockwell, que através do seu personagem nos transmite todo o pavor e horror de podermos um dia perder toda a nossa independência e liberdade, em prol de uma sociedade que apenas quer enriquecer, seja de que forma for...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Coisas de Hoje e de Sempre

Já há uns tempos que reparo nisto. Dizem que o ser humano é um ser sociável. Até que ponto será mesmo?
Diariamente convivo com vários meios de transporte, sendo que alguns deles têm uma longa duração de viagem. Há algo que reparo imensas vezes e que me causa alguma estranheza. Num comboio com inúmeras pessoas, são raras, muito raras, tão raras, as que metem conversa com outras. Chegam por vezes a fazer viagens de 1 hora sem abrir a boca. Como é óbvio nem toda a gente tem a necessidade de expôr a sua vida ou dar-se ao trabalho de estar a dialogar com quem não conhece após um dia cheio de trabalho, mas porque é que isto é uma regra? Ninguém fala com quem não conhece excepto em ocasiões necessárias. Não somos todos seres humanos? Não é suposto funcionarmos numa sociedade, todos juntos? Então como é possível que alguém seja a pessoa mais estranha possível até que uma mera ocasião as junte?
É estranho, de facto, este nosso ser humano.

Outro dado que achei interessante do dia de hoje, é a notícia que li sobre o seleccionador françês, Raymond Domenech, ter cobrado 800 mil euros pela qualificação para o campeonato do mundo por parte do país dos gauleses. Ficar chocado com estes números não é uma manifestação muito inteligente, porque existem mais de 200, 300, jogadores a ganharem números astronómicos.
Não digo que não devam ganhar bastante, mas dentro de um grau de racionalidade, não será tudo isto demasiado?
Sem grandes aparatos, peguemos em 10% do ordenado dos 200 jogadores e dirigentes desportivos que mais ganham. O que é um corte salarial de 10% no ordenado deles? Claro que ninguém gosta de ter esse corte, mas em que é que se traduz realmente?
Com estes 10% não seriamos capazes de alimentar milhões de pessoas?
Será que estes jogadores e dirigentse se iriam mesmo opôr contra esta "revolução", ou será que acabar com vários problemas do mundo acabará por destapar o pano sobre quem quer continuar escondido?
Não me venham com tretas.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Influências


In my life i've met people who really reinvented the definition of being human.
They are ordinary people with an immense desire to create something on their own, gather information and take this information to improve themselves.

I've met a boy that had music inside his mind. He could invent the most beautiful and sentimental songs without wasting much time. Any genre, any style, any instrument. He could learn anything within a few days. I've always told him, "Boy, you should be locked in a room just inventing music".

I've met a girl that could draw reality like it was the most simple thing to do. She had the desire and imagination to draw things so perfectly and most importantly, she could make new things, new objects.

I've met a boy that threw back his ability to play an instrument and follow his dream like it was the most natural thing to do. I'm talking about someone who gave his entire life to music and then threw it away for the desire to discover more of our world, our universe.

I've met a boy that used to destroy everything around him, including himself, his own life. Then he changed. For many reasons. He found a path. And he started to take the right decisions.

I've met a girl that was very found of nature. She would give everything for the ambient. She had objectives and she followed them without looking sideways. She's a winner.

I've met a girl that at a certain age has lost almost everything. She continued to live and fought against it all. She's now on her way to make her life here to stay.

Each of them made me as i am. They're an influence for everything i do. They made me stronger, they made me dream about things i would never think.

Now i've met a girl that is making me happy. With her and all my influences i also want to influence someone positively.


ps: the boys in the picture are also an influence [Sigur Rós]

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

30 Seconds to Clyro



“Golden Rule” dos escoceses “Biffy Clyro”, é o 1º single do novo cd. Ao contrário do que seria de esperar numa música comercial, o refrão não é continuamente repetido. Ao início há uma explosão de loucura e energia , que se cruza, personificando a alma desta banda. Os últimos dois minutos são um exercicio primoroso de técnica, construção musical e marca própria. São explosivos, num ritmo progressivo, sem qualquer vocal, desafiando todas as regras do “comercial”. Com esta música, os Biffy Clyro desafiam os seus fãs e todos os ouvintes do rock, ao entregarem-lhes uma música complexa e cheia de sentimento, ao contrário da suposta repetição fácil do refrão.

A nova música dos “30 Seconds to Mars”, “Kings and Queens” pode ser entendida como um estalo na cara dos seus fãs anteriores, pois além de ter quase 6 minutos, não seguir um padrão lógico dentro do rock, com um ligeiro solo de bateria, uma voz cuidada e intensa, partes ritmadas e outras mais calmas, desafia tudo a que se propôs a banda no albúm anterior. É um prazer escutar o génio de Leto no expoente máximo, com liberdade para criar à sua vontade( e tão bem que o faz), baseando-se na sua voz cheia de garra e misturando-a com uma progressividade alternativa, criando assim um som inovador face ao habitual rock de mastigar e deitar fora. Uma evolução tremenda e de enorme qualidade.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Génios



Ambos são génios musicais. Ambos têm cabelo comprido. Ambos criaram música dentro de um estilo abusivamente saturado, o rock, e souberam transformá-la em algo novo, inovador e por vezes, assustador. Além de todos estes pontos em comum, Kurt Cobain e Steven Wilson partilham outro dado que, de certo modo, os une, o facto de não quererem o estrelato, de fazerem música para eles próprios e permanecerem fiéis ao que defendem, seja qual for o custo.
O sucesso comercial de Kurt Cobain é claramente superior ao de Steven Wilson, mas isso prende-se com o facto da sua música ser passível de uma maior e mais fácil absorção. Cobain pegou no rock pós-punk e reiventou-o, com letras depressivas e críticas. Steven Wilson retoma o barco deixado pelos Pink Floyd, Genesis e King Crimson, e ele próprio reinventa também o rock progressivo, deixando nele a sua marca tão pessoal.
Tanto Cobain como Wilson são completamente apaixonados pela sua música. Ambos críticam a sociedade capitalista e que apenas se preocupa em consumir, e tentam a todo o custo afastar-se dessas ideias. Cobain e Wilson sempre seguiram as suas ideologias, contudo, a forma como cada um decidiu enfrentar a sociedade de consumo comercial foi totalmente diferente.
Kurt Cobain encontrou no suicidio uma forma de escapar a todo o sucesso que obteve com os Nirvana, enquanto que Steven Wilson nunca deixou que os Porcupine Tree se tornassem num sucesso comercial, recusando vários convites e oportunidades de tocar em palcos maiores.
Desta forma, estes dois génios combateram contra o que mais repugnavam, mas de uma forma bem diferente. Enquanto que um decidiu preservar-se da forma mais pura possível e levar com ele o que tinha, arriscando-se a perder-se na sociedade, o outro apostou em fazer-se de surdo perante algumas instituições e permanecer fiél ao que sempre fora, um génio que apenas quer criar música sem passar para a esfera pública .
Dois génios com caminhos opostos, mas que nos deixam a pensar em algo de grande importâcia. Valerá a pena enfrentarmos uma socidade que cada vez mais se preocupa em comprar e vender, sem olhar à grande qualidade do produto, menosprezando assim o real talento, ou será que devemos a ela sucumbir e tornar-nos nós mesmos um produto comercial, nesse grande comércio que é a vida pública, onde as esferas privadas têm cada vez mais a sua porta aberta?