quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Coisas de Hoje e de Sempre

Já há uns tempos que reparo nisto. Dizem que o ser humano é um ser sociável. Até que ponto será mesmo?
Diariamente convivo com vários meios de transporte, sendo que alguns deles têm uma longa duração de viagem. Há algo que reparo imensas vezes e que me causa alguma estranheza. Num comboio com inúmeras pessoas, são raras, muito raras, tão raras, as que metem conversa com outras. Chegam por vezes a fazer viagens de 1 hora sem abrir a boca. Como é óbvio nem toda a gente tem a necessidade de expôr a sua vida ou dar-se ao trabalho de estar a dialogar com quem não conhece após um dia cheio de trabalho, mas porque é que isto é uma regra? Ninguém fala com quem não conhece excepto em ocasiões necessárias. Não somos todos seres humanos? Não é suposto funcionarmos numa sociedade, todos juntos? Então como é possível que alguém seja a pessoa mais estranha possível até que uma mera ocasião as junte?
É estranho, de facto, este nosso ser humano.

Outro dado que achei interessante do dia de hoje, é a notícia que li sobre o seleccionador françês, Raymond Domenech, ter cobrado 800 mil euros pela qualificação para o campeonato do mundo por parte do país dos gauleses. Ficar chocado com estes números não é uma manifestação muito inteligente, porque existem mais de 200, 300, jogadores a ganharem números astronómicos.
Não digo que não devam ganhar bastante, mas dentro de um grau de racionalidade, não será tudo isto demasiado?
Sem grandes aparatos, peguemos em 10% do ordenado dos 200 jogadores e dirigentes desportivos que mais ganham. O que é um corte salarial de 10% no ordenado deles? Claro que ninguém gosta de ter esse corte, mas em que é que se traduz realmente?
Com estes 10% não seriamos capazes de alimentar milhões de pessoas?
Será que estes jogadores e dirigentse se iriam mesmo opôr contra esta "revolução", ou será que acabar com vários problemas do mundo acabará por destapar o pano sobre quem quer continuar escondido?
Não me venham com tretas.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Influências


In my life i've met people who really reinvented the definition of being human.
They are ordinary people with an immense desire to create something on their own, gather information and take this information to improve themselves.

I've met a boy that had music inside his mind. He could invent the most beautiful and sentimental songs without wasting much time. Any genre, any style, any instrument. He could learn anything within a few days. I've always told him, "Boy, you should be locked in a room just inventing music".

I've met a girl that could draw reality like it was the most simple thing to do. She had the desire and imagination to draw things so perfectly and most importantly, she could make new things, new objects.

I've met a boy that threw back his ability to play an instrument and follow his dream like it was the most natural thing to do. I'm talking about someone who gave his entire life to music and then threw it away for the desire to discover more of our world, our universe.

I've met a boy that used to destroy everything around him, including himself, his own life. Then he changed. For many reasons. He found a path. And he started to take the right decisions.

I've met a girl that was very found of nature. She would give everything for the ambient. She had objectives and she followed them without looking sideways. She's a winner.

I've met a girl that at a certain age has lost almost everything. She continued to live and fought against it all. She's now on her way to make her life here to stay.

Each of them made me as i am. They're an influence for everything i do. They made me stronger, they made me dream about things i would never think.

Now i've met a girl that is making me happy. With her and all my influences i also want to influence someone positively.


ps: the boys in the picture are also an influence [Sigur Rós]

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

30 Seconds to Clyro



“Golden Rule” dos escoceses “Biffy Clyro”, é o 1º single do novo cd. Ao contrário do que seria de esperar numa música comercial, o refrão não é continuamente repetido. Ao início há uma explosão de loucura e energia , que se cruza, personificando a alma desta banda. Os últimos dois minutos são um exercicio primoroso de técnica, construção musical e marca própria. São explosivos, num ritmo progressivo, sem qualquer vocal, desafiando todas as regras do “comercial”. Com esta música, os Biffy Clyro desafiam os seus fãs e todos os ouvintes do rock, ao entregarem-lhes uma música complexa e cheia de sentimento, ao contrário da suposta repetição fácil do refrão.

A nova música dos “30 Seconds to Mars”, “Kings and Queens” pode ser entendida como um estalo na cara dos seus fãs anteriores, pois além de ter quase 6 minutos, não seguir um padrão lógico dentro do rock, com um ligeiro solo de bateria, uma voz cuidada e intensa, partes ritmadas e outras mais calmas, desafia tudo a que se propôs a banda no albúm anterior. É um prazer escutar o génio de Leto no expoente máximo, com liberdade para criar à sua vontade( e tão bem que o faz), baseando-se na sua voz cheia de garra e misturando-a com uma progressividade alternativa, criando assim um som inovador face ao habitual rock de mastigar e deitar fora. Uma evolução tremenda e de enorme qualidade.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Génios



Ambos são génios musicais. Ambos têm cabelo comprido. Ambos criaram música dentro de um estilo abusivamente saturado, o rock, e souberam transformá-la em algo novo, inovador e por vezes, assustador. Além de todos estes pontos em comum, Kurt Cobain e Steven Wilson partilham outro dado que, de certo modo, os une, o facto de não quererem o estrelato, de fazerem música para eles próprios e permanecerem fiéis ao que defendem, seja qual for o custo.
O sucesso comercial de Kurt Cobain é claramente superior ao de Steven Wilson, mas isso prende-se com o facto da sua música ser passível de uma maior e mais fácil absorção. Cobain pegou no rock pós-punk e reiventou-o, com letras depressivas e críticas. Steven Wilson retoma o barco deixado pelos Pink Floyd, Genesis e King Crimson, e ele próprio reinventa também o rock progressivo, deixando nele a sua marca tão pessoal.
Tanto Cobain como Wilson são completamente apaixonados pela sua música. Ambos críticam a sociedade capitalista e que apenas se preocupa em consumir, e tentam a todo o custo afastar-se dessas ideias. Cobain e Wilson sempre seguiram as suas ideologias, contudo, a forma como cada um decidiu enfrentar a sociedade de consumo comercial foi totalmente diferente.
Kurt Cobain encontrou no suicidio uma forma de escapar a todo o sucesso que obteve com os Nirvana, enquanto que Steven Wilson nunca deixou que os Porcupine Tree se tornassem num sucesso comercial, recusando vários convites e oportunidades de tocar em palcos maiores.
Desta forma, estes dois génios combateram contra o que mais repugnavam, mas de uma forma bem diferente. Enquanto que um decidiu preservar-se da forma mais pura possível e levar com ele o que tinha, arriscando-se a perder-se na sociedade, o outro apostou em fazer-se de surdo perante algumas instituições e permanecer fiél ao que sempre fora, um génio que apenas quer criar música sem passar para a esfera pública .
Dois génios com caminhos opostos, mas que nos deixam a pensar em algo de grande importâcia. Valerá a pena enfrentarmos uma socidade que cada vez mais se preocupa em comprar e vender, sem olhar à grande qualidade do produto, menosprezando assim o real talento, ou será que devemos a ela sucumbir e tornar-nos nós mesmos um produto comercial, nesse grande comércio que é a vida pública, onde as esferas privadas têm cada vez mais a sua porta aberta?

domingo, 15 de novembro de 2009

nature

We were the children of nature
That lesser god that created us
The angels are water and oxygen
Let's reunite and preserve them well


Since ages we've been worshiping the wrong God
It cannot be similar to a human, 'cause that's the most imperfect something can be
Even a stone or a stick is more perfect
Humans are the children of nature, as it is

God is something that doesn't blame us
That only harms us if we do Him wrong
It is something eternal, peaceful and pure
Nature is God, our God is Earth

Who feed us, who gives us air, who let us be free?
(Nature it is)
We're the children of nature, let it be
Oh God, save us from ourselves

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Echoes


1971 é uma data longinqua para a minha geração(1988). Uma data em que tudo é antigo, tudo é o inicio de algo que agora se faz. Contudo, nesse ano tão distante algo completamente inovador para o ano actual(2009) foi feito! Uma certa banda criou uma certa música, música essa que é uma obra prima da música contemporânea.

Falo da “Echoes”. Não há música mais avançada para a sua época. Posso falar do óbvio, que esta música além de ter uma progressividade inovadora, mistura sons considerados demasiado estranhos para a altura e várias partes numa só música, culminando num final assombroso e mágico. Mas o óbvio não merece grande destaque quando falamos de algo que transcende a própria realidade actual.

É sem dúvida uma música visionária, porque através dela conseguimos sentir(e quase ver) um mundo diferente do nosso, futurístico, mas ao mesmo tempo completamente surreal. Entramos numa nave, que não possuí forma, nem queremos que tenha, e percorremos um caminho parecido a uma viagem, mas que no fundo é muito mais que isso. No decurso da música percorremos mundos completamente diferentes, onde existem sensações mas não existem expressões. Mundos onde não há “comos” nem “porquês”. Há apenas o “sentir”. E que grande sentir é este. Creio que quando Carl Sagan referiu que havia uma grande possibilidade de haver vida extraterrestre não pensou na sua forma mais terrena. Penso que esta “Echoes” é uma prova de que os próprios Pink Floyd criaram algo não humano, algo que não quero denominar de sobrenatural, mas sim algo não comum à criação humana e desta forma algo extraterrestre. Esta afirmação pode ser demasiado irrisória, ou metafórica, mas é objectiva como pretendo que seja.

A viagem pela “Echoes” continua e sentimos o reflexo de todos esses novos mundos, sentimos que devemos ir ao encontro do que realmente procuramos, sem colocar grandes perguntas, apenas porque é o correcto a fazer, é aquilo que sentimos.

“Echoes” dos Pink Floyd, é assim uma viagem pelo desconhecido que se encontra dentro de nós próprios, transfigurando um mundo extraterrestre em algo do nosso próprio sentimento, incentivando ao sonho e a uma realidade que é impossivel conhecer-mos na totalidade, sejamos de 1971, de 2009, ou até mesmo de 3000.

Para sempre uma música do futuro!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Boa vontade

Havia um jardim. Nesse jardim havia um lago. Junto a esse lago havia um rapaz, uma cadeira, um homem e um barco a motor. O rapaz encontrava-se à beira do lago, sentado na cadeira. O homem estava sentado ao seu lado, mas no chão. O rapaz controlava euforicamente o barco com o seu comando, enquanto o homem fumava um cigarro e aplaudia os movimentos da pequena embarcação. O dia estava a acabar. O pai tinha trazido ali o seu filho, para que ele pudesse disfrutar da sensação de conduzir, controlar um pequeno barco a motor, naquele lago no meio do jardim.
Durante uma hora o rapaz controlou o barco e o homem riu e aplaudiu, enquanto fumava os seus cigarros.
No final o homem retirou o barco da agua, arrumou-o dentro de um saco e pegou no filho ao colo, com algum esforço e por último a cadeira onde o filho estava antes sentado.
Todos os dias o pai trazia o filho a este lago, no meio do jardim, para que ele pudesse pelo menos uma vez por dia ter a sensaçao de como é realmente andar.