terça-feira, 27 de abril de 2010

Esclarecimento

Vou iniciar outro blog com um grupo de pessoas lindas e simpáticas.
Este novo blog vai contar com todos os textos relacionados com arte e cultura que me apeteça escrever.
Desta forma, o "Learn to Fly" vai ter daqui em diante apenas textos pessoais, observações, opiniões. Passa assim a ser um pouco do meu cérebro.
Acompanhem o novo blog, que dá pelo nome de "Arte-Factos", onde eu e mais 8 pessoas colocaremos textos de opinião critica sobre música, cinema, literatura, etc... Tudo o que esteja relacionado com arte e cultura.
Entretanto há o Cultura Activa, que continuará com as entrevistas.

domingo, 25 de abril de 2010

Ídolos e desilusões

Há certas figuras que criam em nós uma grande admiração. Seja porque cantam bem, representam bem, vestem-se bem, movem-se bem, ou são boas pessoas.
Por igual raciocínio funciona a visão que temos sobre um possível ídolo, alguém que admiramos por certa qualidade.
O que é facto é que se idolatrarmos, ou apenas admirarmos, alguma pessoa sem que a conheçamos realmente, o mais certo é que venha a perder toda a sua magia.
Por isso questiono-me se vale realmente a pena conhecer pessoas que admiramos, mas que nunca conhecemos. Não questiono isto para todas as pessoas, como é obvio, mas para algumas, muitas.

domingo, 18 de abril de 2010

Remember Me


O filme "Remember Me" de Allen Coulter não é um romance. Existe romance, mas não é o centro do filme. Ao contrário do que seria de esperar num filme deste género, a história avança intensificando os personagens e as suas relações, em vez do habitual carrossel de personagens vazias, que costumam acompanhar a história como se isso fosse assim tão natural.
"Remember Me" é um drama familiar, que incide sobre todos os dramas familiares a que estamos habituados, mas tudo de forma genuína, sem ser necessário recorrer ao amor do tipo príncipe - princesa, ou a perdas trágicas e actos heróicos. Neste filme, somos presenteados com a naturalidade da vida, as suas consequências, os seus actos de natureza humana e natural. Há miséria, há amor, há paixão, há ódio, há solidão, há desespero, há revolta. O personagem de Robert Pattinson é tudo isto. Um ser humano destruído que consegue voltar a criar uma motivação pessoal para viver.
A relações explicitas no filme são bastante reais, bastante crediveis de se estarem a passar na casa ao lado da nossa. O personagem de Pattinson é o mais profundo do filme. A sua relação com a irmã espelha uma realidade comum, tendo em conta a tragédia que se passou na sua família. A relação com o pai é tempestuosa e similar à de milhões de pessoas, sendo que Pierce Brosnan absorve toda a intensidade de um pai distante da sua família, mas com um grande amor por esta.
A relação amorosa do filme é a mais fraca, talvez por tentar ser o núcleo do filme, mas nunca conseguir. Cada personagem tem um passado próprio, envolto em tristeza e desilusão. Cada personagem desenvolve-se naturalmente ao longo do filme, sem ser necessário haver uma mudança brusca de narrativa. Contudo, a relação amorosa falha, sendo o único ponto fraco a apontar.
"Remember Me" não é um filme de amor, é um filme que gira em torno de situações humanas, situações essas que acontecem na vida real tal e qual como estão ilustradas na tela, sem "magia", sem hérois, sem histórias da carochinha.
É bom surpreender-me num filme deste género. Uma bonita forma de nos lembrarmos dos nossos irmãos, pais, amigos e namorados, sem o habitual sentido cliché, sem o esforço sentimental, sem o estereótipo disfuncional da realidade.

Coisas que me fazem impressão

Lista de algumas coisas que me têm feito impressão:
- A Igreja dizer que a homosexualidade está ligada à pedófilia. Hum, não será mais a Igreja a estar ligada à pedófilia?..

- O Benfica estar a ganhar demasiados jogos. Já chateia, parem lá um bocadinho!

- A Assembleia da República estar a tornar-se agora um circo, em vez de um Zoo. Refiro-me à "guerra" Sócrates - Louçã.

- O facto de um funeral ser a nossa maior "festa". É sem dúvida o dia em que temos mais pessoas de que gostamos junto de nós. É pena é aí já não valer de nada, mas enfim...

- Continuar a "deixar andar", quando devia agir.

- Não ser capaz de me multiplicar em mil e iniciar dois mil novos projectos.

E acho que por agora é tudo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A política, os partidos e as Pessoas


Não faço parte de nenhum partido. Não considero que exista algum capaz de conciliar as minhas ideologias. Porque sou humano, tenho ideias que tanto podem ser consideradas de "esquerda", como de "direita". Um partido é apenas uma definição algo abstracta(que tenta ser objectiva), que pretende unir pessoas com a mesma matriz de pensamento, ou os mesmos ideais e objectivos.
Como tal, é fácil dizer que o partido X pensa da seguinte forma, logo os seus afiliados pensam também dessa forma, ou parecida. Contudo, considero ridículo definir o ser humano por formas tão pequenas e estereotipadas de pensamento, que não permitem uma mudança de opinião ou um confronto directo com outras situações.
Na assembleia da república(tudo escrito em minúsculas com o propósito de não lhe dar importância), passa-se algo que as crianças das escolas primárias ainda não descobriram. No jardim zoológico podem ver macacos a saltar de ramo em ramo, leões a beber água, elefantes a descascar amendoins, e outros animais variados a dormir e a saltar(é necessário informar que o preço do bilhete para o jardim zoológico ronda os 18 euros!!!). Na referida assembleia, que é a nossa assembleia portuguesa, o local onde se debatem os problemas do povo, existe um zoo muito mais engraçado! Além da entrada ser grátis, neste local podemos ver durante horas a fios, seres humanos de fato e gravata a insultarem-se mutuamente, soltando latidos e grunhidos imperceptíveis até aos animais! Em vez de se debater o que interessa, em vez de tentarem ,conjuntamente ou singularmente, arranjarem soluções para os problemas existentes, os senhores e senhoras passam o tempo a agredirem-se, apenas pelo prazer do acto, pelo prazer de destruir o outro, com sede de poder, ou com sede de outra coisa. Há excepções, como é claro, mas isso há para tudo e em todo o lado, até nas prisões.

Não sou de ligar a partidos, nem muito à politica, porque ela em vez de tentar regular a nossa sociedade, como é a sua função, limita-se a fazê-la saltitar. Por não ligar a partidos, perco também algumas oportunidades de conhecer pessoas interessantes, que também as há ligadas à politica. Porém, apesar de no sentido estereotipado dos partidos, as minhas ideologias se colocarem um pouco mais à "esquerda", embora não muito, há algo no PSD que tem captado a minha atenção. Já sabemos como são os políticos, mas há aí um que me parece no mínimo audaz. Claro que vem num momento em que não tem nada a perder, só é capaz de ganhar, mas há algo nele que me parece superior aos demais. Resta esperar para ver, mas seria no mínimo curioso que apenas um homem me fizesse ligar à politica. Veremos...
Actualmente não interessam muito os partidos, interessa mais quem está à frente deles.

A natureza é bela


Caíam como se nada pesassem, como se não fossem deste mundo. Eram inúmeras, impossíveis de contar. Sentiam-se como toques suaves de algum deus superior. Era uma sensação diferente de algo terreno, era algo pseudo-divino, com uma certa influência natural. Conforme iam caindo sobre o corpo, tornavam-se maiores e diferentes na sua forma. Tornavam-se mais naturais, tão sem graça, perdendo a cor, aquela cor que possuem enquanto caiem, a cor que é impossível de definir.
Ao longe, uma folha verde sentia cada um destes toques. Em si pareciam pequenos feitiços, apenas com o propósito de serem belos. No corpo humano não são nada mais do que o espelho da solidão, cada uma delas ilustrando a sua própria solidão, o seu desespero. Na folha verde eram esbeltas e suaves, como se ali pertencessem, como se dali tivessem nascido. De tão belas que eram, demoravam mais tempo a escorregar na folha verde, a tal que lhes dava brilho, que lhes dava sentido.
As gotas caíam como se nada pesassem, como se não fossem deste mundo. No ser humano aparentavam não lhe pertencer, como se este não fosse parte da natureza. Na folha verde, sentiam-se acarinhadas e desejadas, porque a natureza ama sem ser preciso expressar-se.
E ali estavam, tão belas, as gotas e a folha verde.